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A Lei Orçamentaria Anual (LOA) de 2021 do Distrito Federal

O que podemos esperar da execução da LOA em tempos de Pandemia de Covid-19

Foto: Rayra Paiva Franco/O Panorama

Para iniciar nosso artigo, vamos refletir sobre a seguinte questão: se as entregas na execução das leis orçamentarias em diversos governos anteriores ao atual, já eram difíceis e deixavam muito a desejar aos contribuintes, o que podemos esperar em tempos de pandemia da LOA de 2021?

No início de 2020, o mundo parou. Ficção cientifica? Um filme de terror? Ou mesmo um remake do clássico “Epidemia” de 1995 estrelado por gigantes das produções cinematográficas, Dustin Hoffman e Morgan Freeman, quando um vírus mortal e contagioso coloca uma cidade americana em quarentena e lookdown e com risco emitente de ser destruída pelo governo.

Saindo da ficção científica e entrando na realidade, creio que nossa geração, dos meu pais e dos meus avós, nunca imaginariam que o mundo iria virar de cabeça para baixo.

Tudo veio à tona por meio dos noticiários mundiais, quando uma cidade na China chamada Wuhan, mais especificamente em um Mercado de Frutos do Mar, detectou se o primeiro surto registrado de Covis 19. Ninguém imaginava que um vírus superpoderoso estava solto e se espalharia pelo globo terrestre em um curto espaço de tempo como um rastilho de pólvora, saindo de uma epidemia para uma pandemia e que o mesmo ceifaria a vida de milhões de pessoas no mundo, proibindo o ir e vir dos habitantes em suas cidades e levando provavelmente a ruina da economia global de forma muito rápida.

Quando falamos em economia, o assunto nos remete a uma temática importantíssima que é o orçamento público, cuja obrigação dentro dos preceitos constitucionais, tem como função a transformação de tributos pagos pelos cidadãos em entregas de serviços públicos essenciais ao bem-estar da população, tais como educação, saúde, segurança, transporte público dentre outros. Não se trata de um favor mais sim de uma obrigatoriedade do Estado para com o contribuinte.

Como citamos acima, as consequências da pandemia, obrigou os governantes a fecharem fronteiras, proibirem o ir e vir dos habitantes, arrasou a economia, encerrou atividades de muitas empresas, que inclusive tinham um papel vital na composição positiva do PIB, causando um estrago sem precedentes na cadeia produtiva, com milhões de empregos dizimados, prejudicando o bem-estar de inúmeras famílias, cuja diminuição ou mesma perda de renda, até por serem as principais fontes de contribuição, acertou como uma flecha certeira o orçamento da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Nesse sentido, remetemos nossa reflexão no caso do Distrito Federal, onde vivemos e podemos acompanhar de perto a execução da LOA de 2021. Como não poderia ser diferente dos estados brasileiros, vimos de perto o encerramento de diversas atividades econômicas, elevação significativa do desemprego e um enorme caos social, em consequência das atitudes governamentais no combate a pandemia da Covid 19, seguindo à risca medidas sanitárias e protocolos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Infelizmente naquele momento foram na minha opinião as decisões mais acertadas tendo em vista o desconhecimento total do vírus e sua letalidade.

Se fizermos um resgate histórico da recessão que atravessamos após a copa do mundo de 2014, Brasília foi uma das sedes, e teve inclusive uma das arenas mais caras, que custou na época, algo em torno de 2 bilhões de reais. O governo que assumia o comando da cidade em 2015, acusava um rombo bilionário nas contas públicas e que não foi diferente no ano de 2019, segundo diversas publicações jornalísticas do mesmo ano, período o qual o governo atual assumiu as rédeas do Distrito Federal, acusando explicitamente o anterior, de receber o cofre vazio e segundo a Secretaria de Fazenda em diversas reportagens, o déficit beirava entre 6 a 9 bilhões de reais.

Diante disso, o que o governo indicava naquele momento, era os riscos eminentes de uma desastrosa execução das políticas públicas básicas e essenciais para o bem-estar da população. Ora se as execuções orçamentarias anteriores a 2014 já eram um sério problema na vida dos cidadãos, imaginem como os cofres públicos vazios, ou seja, teríamos entregas de serviços públicos piores que já tínhamos anteriormente, de péssima qualidade, com gravíssimas deficiências na geração de empregos e renda, crescimento efetivo nas estatísticas de desempregados e um possível caos na segurança pública.

Vale ressaltar, que na educação, a famosa falta de professores, falta de material didático, e a má condição de infraestrutura, tem possivelmente consequências direta na péssima qualidade de ensino que tanto ouvimos falar e escutar nos noticiários locais e nacionais. Já na saúde, hospitais caindo aos pedaços, falta constante de remédios, médicos em quantidade insuficientes para atendimentos da superlotação de pacientes, filas enormes de pessoas doentes sem conseguir consultas ou leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), também são manchetes frequentes na mídia brasileira.

Assim sendo, tudo acima nos indica que possivelmente na pandemia bem como antes dela, a irresponsabilidade e a má qualidade dos gastos na execução do orçamento público no âmbito do Distrito Federal, vinha à tona, deixando milhares de pessoas com Covid 19 e outras comorbidades, sem um atendimento digno e de qualidade, e muitas foram a óbito, como se estivessem em um corredor da morte, triste realidade que vimos acontecer de perto com parentes, amigos, vizinhos e pelos noticiários diários.

Nessa linha de reflexão, em entrevista ao G1 DF, de 07/01/2021, o GDF (Governo do Distrito Federal), registrou que a Lei Orçamentaria Anual de 2021 seria 2,5%, maior que a do ano de 2020. É importante frisar de forma bem simplista que o orçamento público é uma peça fictícia e que trabalha com estimativas de arrecadação de receitas e que surpresas não poderiam ser descartadas em plena pandemia com suas ondas e variantes que chegavam a nossa cidade.

Ao mesmo tempo, na mesma reportagem, o próprio GDF informou que o Fundo Constitucional, teria uma redução de 704,2 milhões menor do que o previsto na Lei de Diretrizes Orçamentarias (LDO) de 2021. Em explicações sobre a redução do fundo, o próprio governo remeteu a causa a queda da receita corrente liquida (RCL) da União em razão da pandemia, ou seja, arrecadou menos que esperava. Dessa forma podemos entender que a declaração do GDF, nos leva a tirar nossas próprias conclusões de que a e LDO e a LOA de 2021, poderiam possivelmente estar superestimadas, e não levaram em consideração ou não acreditaram nas consequências da Covid-19, e seu impacto nas contas públicas.

Queria muito acreditar que a execução da Lei Orçamentaria de 2021, fosse superar todas as anteriores e que as entregas aos contribuintes, principalmente os das classes que mais precisam ser alcançadas pelos serviços públicos, fossem de excelente qualidade. Infelizmente não e que podemos ver até o presente momento, em que se encerra o primeiro semestre do corrente ano.

Ao contrário do que sonhávamos, o que se vê são, ônibus superlotados colocando em risco a vida de milhares de pessoas todos os dias, que precisam trabalhar para sobreviver em plena pandemia, falta de remédio dos mais simples aos mais complexos, falta de médicos, UTIS e até algo inédito que nunca ouvimos falar e que aconteceu realmente, ou seja, a falta de oxigênio. Testemunhamos também uma alta no desemprego, a degradação da educação que já era tida pelos contribuintes em diversas reportagens locais e nacionais, como sendo de péssima qualidade, dentre outras obrigações já citadas em parágrafos acima e que foram realizadas como no dito popular a “meia boca”.

Queria acordar, e enxergar que tudo que falamos anteriormente não passasse de um pesadelo, e que ao contrário, encontrássemos uma população feliz com a execução orçamentarias das políticas públicas, e o governo de nossa cidade fosse um exemplo para o Brasil, de entregas dos serviços públicos aos contribuintes.

Por fim, fica uma dúvida tremenda no ar e na minha cabeça. Se nos anos anteriores as execuções orçamentarias no âmbito do Distrito Federal entregaram serviços de baixíssima qualidade, na opinião da população em geral registrada em diversos meios de comunicação, escrita, falada e televisionada, e agora faltando seis meses para o encerramento do ano fiscal e em plena pandemia? O que será de nós? Deus nos acuda!!!!!

Por: Rosiane Borges
Assessora Parlamentar da Câmara Legislativa do Distrito Federal

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Brasil

Efeitos cognitivos da depressão

A depressão é uma doença crônica e degenerativa que atinge milhões de pessoas, destarte, a mesma chega a ser uma patologia complexa para ser diagnósticada, por mais que seja feito por um profissional. Mas e você ? Sabe os efeitos cognitivos da depressão?

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Se você é familiarizado com as histórias de Harry Potter, personagem de J.K. Rowling, deve se lembrar de um tipo de criatura sombria e amedrontadora, cuja própria presença retira a alegria do ambiente e cujo principal feito é o de sugar as memórias mais felizes de uma pessoa deixando-a apática, lenta e triste. Lembrou? Essas criaturas mágicas são chamadas de dementadores. A editora-chefe da revista mente e cérebro, Gláucia Leal, numa edição exclusiva sobre a depressão, utiliza a figura dos dementadores para ilustrar esse distúrbio mental. De fato, os dementadores apresentam muitas características em comum com a depressão, como a extrema angústia, o desespero e a infelicidade que ambos trazem. No entanto, neste artigo iremos tratar de outros efeitos da depressão, os impactos cognitivos do distúrbio, ou seja, a ação da depressão sobre nossa memória, atenção e sobre nossa tomada de decisões.

Em “Harry Potter e a ordem da Fênix”, o quinto livro da saga, Duda Dursley, primo e irmão adotivo de Harry, é atacado por um dementador, porém há um detalhe, Duda é um trouxa (ou seja, ele não é um bruxo) e os efeitos do “beijo” do dementador são devastadores para o pobre colega não bruxo. Duda, além de extremamente triste e desolado, encontra-se temporariamente incapaz de falar, letárgico, com problemas de memória, inapto para tomar suas próprias decisões e impossibilitado de ter um foco de atenção duradouro chegando ao ponto de ser levado ao hospital por seus pais.

Foto:FREEPIK/stories

A depressão tem efeitos, além daqueles mais conhecidos, como a angústia profunda. Esse distúrbio do humor atinge também nossas funções cognitivas e motoras. A doutora Marcia Rozenthal, da UFRJ, relata “Várias são as queixas neurocognitivas presentes durante o estado depressivo, incluindo redução das habilidades atentiva, mnêmica e lentidão do pensamento”. Desde a atenção, a memória e até a rapidez com que se pensa podem ser prejudicadas num quadro de depressão e essas disfunções cognitivas podem se manter mesmo durante as fases assintomáticas.

No que tange às funções cognitivas, uma das mais facilmente observadas por um profissional da saúde é a atenção. Um efeito observado em todos os tipos de depressão é a alteração da atenção sustentada, ou seja, da capacidade de manter o foco de atenção. A intensidade dessas alterações varia conforme a gravidade do quadro depressivo, mas podem persistir mesmo após a diminuição dos sintomas.

Nossa memória também pode ser afetada em distúrbios do humor como a depressão. A psicóloga Patrícia Porto afirma em seu artigo “Alterações neuropsicológicas associadas à depressão” que a aquisição e a evocação de memórias estão entre os domínios cognitivos mais comumente afetados pelo quadro depressivo. A Dra. Porto também relata que os déficits de memória estão diretamente relacionados à depressão em idosos e principalmente em pacientes com histórico de depressão crônica ou recorrente.

Pessoas deprimidas geralmente têm dificuldades para tomar decisões, provavelmente pelo fato de que nossas emoções têm um papel importante nesse processo, e num indivíduo deprimido seu emocional encontra-se abalado. A tomada de decisões é mais um domínio cognitivo desequilibrado por esse distúrbio e pacientes com depressão apresentam-se mais lentos no processo de deliberação, além de ser comum a falta de confiança no seu próprio posicionamento, como é demonstrado pelo pesquisador FC Miller em seu estudo Decision making cognition in mania and depression (Cognição da tomada de decisão em mania e depressão), de 2001.

Mesmo com tamanha severidade, existem algu mas luzes no fim do túnel. Existem várias formas de tratar os déficits cognitivos advindos da depressão, desde medicamentos e exercícios cognitivos até a psicoterapia e a meditação.

Estilos de vida saudáveis, com a prática de exercícios físicos, a socialização e as dietas balanceadas podem parecer figurinhas repetidas, mas são, sim, métodos que mantêm cérebro e mente sãos. Então, não deixe de bater aquela bola com seus amigos nas tardes de domingo, sair para dançar ou de frequentar aquele clube do livro.

Por: Dr. Tiago Pereira Damaceno

MPIInstituto de Medicina e Psicologia Integradas

RT: Dalton Garcia Leão CRM 4453

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Brasil

BC avança nas discussões para a criação da moeda digital brasileira

Real Digital pretende dar eficiência às transações financeiras

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Foto: Rayra Paiva Franco/O Panorama

Influenciado pelas inovações proporcionadas pelos ambientes digitais para as intermediações financeiras, o Banco Central está avançando nas discussões que visam a criação e a implantação da moeda digital brasileira – no caso, o Real Digital. Para tanto, inaugurou hoje (29) uma série de webinars que vai tratar do assunto, com a palestra Potenciais do Real em formato digital. Este, o primeiro dos sete encontros previstos durante o segundo semestre, teve como palestrante o professor Robert Townsend, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ele participa do projeto de criação do dólar digital.

A ideia do Banco Central brasileiro é a de “estabelecer as bases para o eventual desenvolvimento de uma CBDC [Central Bank Digital Currency] que venha a acompanhar o dinamismo da evolução tecnológica da economia brasileira e a aumentar a eficiência do sistema de pagamentos de varejo”. Dessa forma, pretende “contribuir para o surgimento de novos modelos de negócio e de outras inovações baseadas nos avanços tecnológicos”, favorecendo a participação do país em outros cenários econômicos e aumentando sua eficiência nas transações trans fronteiriças.

Moedas digitais X criptomoedas

Para melhor compreensão sobre o tema, a autoridade monetária brasileira esclarece que moedas digitais são muito diferentes de criptomoedas. Em maio, ao anunciar as diretrizes para a criação da moeda digital brasileira, o coordenador dos trabalhos sobre a moeda digital do Banco Central, Fabio Araujo, explicou essa diferença.

“Os criptoativos, como o Bitcoin, não detém as características de uma moeda, mas sim de um ativo. A opinião do Banco Central sobre criptoativos continua a mesma: esses são ativos arriscados, não regulados pelo Banco Central, e devem ser tratados com cautela pelo público”, detalhou. Já a CBDC é uma nova forma de representação da moeda já emitida pela autoridade monetária nacional. Ou seja, faz parte da política monetária do país de emissão e conta com a garantia dada por essa política.

Papel do banco público

Na palestra apresentada hoje, o professor Robert Townsend seguiu a mesma linha. “O papel do banco publico vai além do lucro e abrange o bem-estar da sociedade como um todo”, disse o professor do MIT ao ressaltar a importância de “regras, esquema e desempenho do sistema financeiro” para que esse objetivo seja atingido. “A CBDC é uma outra opção para substituir o papel-moeda, podendo ter moedas estáveis com apoio da moeda bancária, de forma a garantir que o dinheiro é real. Dinheiro público e privado [como é o caso das criptomoedas] podem coexistir de forma saudável nesse ambiente”, disse.

Ele, no entanto, pondera que essas “moedas privadas” devem ser negociadas em mercados secundários. “A vantagem dos contratos inteligentes, sem usar terceira parte, é a de possibilitar um novo aporte de intermediação financeira. Em alguns aspectos é fácil de monitorar, no sentido de que os acordos são todos codificados e existentes, antes de tudo ser deslanchado”. “O futuro chegou e o sistema financeiro sempre continuará evoluindo com inovações muitas vezes desejáveis. Então é papel tanto de um banco central como das moedas digitais evoluir. Temos de estar prontos e pensar sobre isso, em vez de responder a coisas que aconteçam sequencialmente”, acrescentou.

De acordo com o professor, entre as regras a serem seguidas pelos bancos centrais está a de planejar um sistema financeiro com rastreamento, criptografia, computação multipartidária e privacidade. “Há um papel para o setor público no design de infraestrutura de plataforma aberta, o que inclui programabilidade que potencialmente permita à CBDC [moedas digitais fornecidas por bancos centrais] funcionar”.

Infraestrutura

Professor da Escola de Negócios da Fundação Getúlio Vargas, Eduardo Diniz explicou de forma didática alguns dos processos que devem ser observados para a “construção da parte técnica” da moeda digital brasileira. “Quando se tem a moeda em papel, a Casa da Moeda constrói um papel físico. Há toda uma infraestrutura técnica para a produção dessa moeda, com máquinas, impressoras, tintas. Essas camadas operam de forma conjunta para fazer o sistema funcionar. O que vemos agora é a transposição disso para o mundo digital. Você continuará tendo controle, regras e funcionamento do sistema de pagamento. Isso continuará na mão do BC. Mas terá uma infraestrutura para validar que aquilo que está circulando é, de fato, [moeda] Real”.

Ele acrescenta que, quando se migra de um sistema para ou outro, mantém-se “a mesma estrutura lógica do sistema de pagamento, com o BC tendo controle sobre as regras de funcionamento do mercado; tendo mecanismos de validação necessários para dizer que o que está sendo operado está sendo feito de forma confiável para a população; e também, no nível do código, a tecnologia que será implementada e executada”.

Complementariedade

Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, João Manoel Pinho de Mello disse que o objetivo do BC, ao estudar modelos e discutir os meios pelos quais se adotará tal tecnologia, poderá auxiliar a autoridade monetária brasileira “na gestão da moeda em suas três funções: reserva de valor, unidade de conta e meio de pagamento, considerando um cenário de inovação e de maior digitalização de nossa sociedade”.

“Portanto, não é um debate de substituição, mas de complementariedade do meio digital para cobrir lacunas e superar fricções que a moeda tradicional tem dificuldade de superar, em um equilíbrio no qual os benefícios de adoção de uma CBDC superam os riscos e os custos”, argumentou.

“De forma geral, entendemos que o uso da CBDC se dará nas situações em que ela for capaz de trazer maiores eficiência e transparência para as transações, seja sob a ótica do varejo ou do seu uso pelos agentes que compõem a indústria financeira e de pagamentos, que chamamos de atacado. Além disso, CBDCs podem trazer, se bem desenhadas, oportunidades para ampliar a inclusão financeira e para melhorar a experiência e diminuir o custo e tempo de pagamentos trans-fronteiriços”, acrescentou.

De acordo com o diretor do BC, é preciso reconhecer que há que se tomar “extremo cuidado” na escolha do desenho e das tecnologias que serão utilizadas, de forma a evitar que a moeda digital a ser criada desrespeite a lei geral de proteção de dados, facilite corridas bancárias ou seja vulnerável a ataques cibernéticos.

“Além disso, o uso trans-fronteiriço dessas moedas deve ter especial consideração no desenho da solução, de modo a evitar substituições indesejadas da moeda soberana de um país pela de outro”, complementou.

Desenvolvimento gradual

Ele lembrou que a pandemia acelerou transformações na forma que a sociedade transaciona, com o crescente uso dos meios digitais de pagamento. “Hoje, o celular se tornou peça fundamental nos pagamentos, trazendo novos termos para nosso cotidiano, como QR Code ou pagamento por aproximação. Nessas condições, temos a oportunidade de debater o assunto de CBDC como ferramenta complementar, para trazer mais eficiência e inclusão”.

Ainda segundo Mello, o desenvolvimento da moeda digital brasileira tem de ser gradual, de forma que permita ao regulador avaliar os riscos e benefícios dessa inovação, definindo adequadamente a regulação necessária.

“Posso afirmar que a estratégia do regulador é a de estimular reformas estruturais que lidam com falhas de mercado, com potencial de promoverem benefícios de longo prazo para nossa sociedade. O BC busca, nesse contexto de inovações, permitir que os consumidores se aproveitem, de forma segura, dos enormes benefícios que as mudanças tecnológicas trarão, ao passo que irá zelar pela solidez prudencial e pela proteção dos dados dos cidadãos e das empresas”, completou.

Por: Agência Brasil

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Tóquio: no sétimo dia de competição, Brasil conquista duas medalhas

Prata veio com a ginasta Rebeca Andrade e bronze com Mayra Aguiar

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Foto: Lindsey Wasson

No sétimo dia de competições dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, os destaques para o Brasil vieram com duas medalhas de atletas mulheres. A judoca Mayra Aguiar conquistou bronze e a ginasta Rebeca Andrade faturou prata na ginástica artística. No vôlei, a equipe feminina também fez bonito e engatou a terceira vitória seguida.

Ginástica artística

A paulista Rebeca Andrade, de 22 anos, entrou para a história da ginástica artística do Brasil ao conquistar a prata no individual nos Jogos de Tóquio, a primeira medalha olímpica feminina do país na modalidade, na manhã desta quinta-feira (29). Rebeca somou, ao final dos quatro aparelhos, 57.298 pontos, ficando atrás somente da norte-americana Sunisa Lee (57.433) e à frente de Angelina Melnikova, do Comitê Olìmpico Russo (ROC, sigla em inglês) que totalizou 57.199. A brasileira ainda tem chances reais de conquistar mais medalhas nas disputas de salto e solo a partir de domingo (1º de agosto). 

Judô

A gaúcha Mayra Aguiar conquistou feito inédito na manhã de hoje, após conquistar a medalha de bronze na categoria meio-pesado (até 78kg). 

A medalha do Brasil veio com a vitória contra a sul-coreana Hyunji Yoon, que foi imobilizada por 20 segundos no Nippon Budokan, templo das artes marciais na capital japonesa. A judoca se tornou a primeira mulher a conquistar três medalhas olímpicas em um esporte individual. Ela já havia levado o bronze nos Jogos de Londres (2012) e na Rio 2016.

Mayra Aguiar mostra medalha de bronze conquistada no judô na Olimpíada de Tóquio
A judoca Mayra Aguiar exibe medalha de bronze conquistada – Reuters/Sergio Perez/Direitos Reservados

Vôlei

A seleção brasileira de voleibol feminino conquistou nesta quinta-feira a terceira vitória consecutiva. As brasileiras venceram o Japão por 3 sets a 0, com parciais 25/16, 25/18 e 26/24. A partida foi realizada na Arena de Ariake, na capital Tóquio. Invicto na competição, o Brasil já havia derrotado a Coreia do Sul e a República Dominicana.

Com este resultado, a seleção brasileira está na segunda colocação do Grupo A. Na próxima rodada, no sábado (31), o Brasil vai encarar as líderes do grupo às 4h25 (horário de Brasília), na Arena de Ariake.

As brasileiras venceram o Japão por 3 sets a 0, com parciais 25/16, 25/18 e 26/24.
As brasileiras venceram as anfitriãs da Olimpíada – Wander Roberto/COB/Direitos Reservados

Vôlei de praia

Nesta quinta-feira, o Brasil avançou para as oitavas de final no vôlei de praia feminino e masculino. A dupla Alison e Álvaro Filho venceu os holandeses Robert Meeuwsen e Alexander Brouwer por 2 sets a 0, com parciais de 21/14 e 24/22. A partida foi disputada no Parque Shiozake, na capital japonesa. O triunfo selou a classificação dos brasileiros às oitavas de final. Com a vitória, eles vão aguardar os resultados das partidas de amanhã para saber quem enfrentarão na fase mata-mata. 

No feminino, Ágatha e Duda sabiam que precisavam vencer para continuar em busca da medalha olímpica no vôlei de praia. E a dupla brasileira conseguiu o objetivo nesta quinta-feira, também no Parque Shiozake, quando derrotou as canadenses Heather Bansley e Brandie Wilkerson por 2 sets a 0, com parciais de 21/18 e 21/18.

Os próximos jogos da dupla feminina brasileira também dependem dos resultados das partidas de sexta-feira. 

 Ágatha e Duda vencem Bansley e Brandie
Ágatha e Duda vencem Bansley e Brandie – Reuters/PILAR OLIVARES

Canoagem

O Brasil começou bem a madrugada desta quinta-feira com a atleta Ana Sátila chegando, pela primeira vez na história, à uma final olímpica da canoagem slalom. A medalha na prova da canoa (C1), no entanto, não veio: a mineira terminou na 10ª posição (tempo de 164s71), após ser punida por não ter cruzado uma das 25 balizas do circuito. O ouro ficou com a australiana Jessica Fox (105s04), a prata com a britânica Mallory Franklin (108s68) e o bronze com a alemã Andrea Herzog (111s13). 

Mesmo fora do pódio, Sátila também protagonizou outro feito inédito: tornou-se a única mulher do país a brigar por medalhas na modalidade. O Brasil conta ainda com Pepê Gonçalves, classificado para a semifinal no caiaque (K1) às 2h (horário de Brasília) desta sexta (30). A final do K1 será na sequência, às 4h. 

Ana Sátila termina em 10º lugar na final da canoa (C1) em Tóquio 2020 - Olimpíada
Ana Sátila termina em 10º lugar na final da canoa (C1) em Tóquio 2020 – Olimpíada – Gaspar Nóbrega/COB/Direitos Reservados

Handball

O Brasil foi superado pela Espanha por 27 a 23, hoje no Ginásio Nacional Yoyogi, em jogo válido pela 3ª rodada do Grupo B do torneio de handebol feminino. Essa foi a primeira derrota da equipe comandada pelo técnico Jorge Dueñas, que empatou em 24 a 24 na estreia com o Comitê Olímpico Russo e venceu a Hungria por 33 a 27 na rodada seguinte.

Na próxima rodada, o Brasil pega a Suécia na madrugada do próximo sábado (31), a partir das 04h15 (horário de Brasília).

Ciclismo BMX

O brasileiro Renato Rezende avançou às semifinais do ciclismo BMX na Olimpíada de Tóquio. Na noite desta quarta-feira (28), no Parque de Esporte Urbanos de Ariake, o carioca fez o terceiro melhor tempo (40s98) na primeira bateria, ficando atrás apenas de dois holandeses, Twan van Gendt e Niek Kimmann. Assim, o atleta está garantido na semifinal prevista para as 22h desta quinta-feira.

Na prova feminina, a brasileira Priscilla Stevaux ficou na sexta posição da chave e não conseguiu passar das quartas.

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Renato Rezende compete em Tóquio 2020 – Wander Roberto/COB/Direitos Reservados

Remo

O remador carioca Lucas Verthein ficou fora da final do skiff simples na Olimpíada de Tóquio (Japão). Nesta quarta-feira, o brasileiro ficou em quinto lugar na primeira semifinal da prova, realizada no Canal Sea Forest, com tempo de 7min02s87. Para se classificar à disputa por medalhas, ele precisava chegar entre os três primeiros.

Verthein compete nesta quinta-feira, às 21h15 (horário de Brasília), na final B, que define a classificação do sétimo ao 12º lugar. A participação do remador, que disputa a primeira Olimpíada da carreira, já é a melhor de um brasileiro no skiff simples.

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Lucas Verthein não se classificou para a final do Skiff simples do remo – Gaspar Nóbrega/COB/Direitos Reservados

Natação

O carioca Guilherme Costa não conseguiu repetir o ritmo da fase eliminatória e chegou na oitava e última posição na final dos 800 metros (m) livres da Olimpíada de Tóquio. O brasileiro concluiu a prova, no Centro Aquático da capital japonesa, em 7min53s31, seis segundos acima da marca atingida na semifinal, que lhe rendeu o recorde sul-americano. Na sexta-feira (30), o carioca disputa os 1.500 metros livres.

Guilherme virou os primeiros 50 metros na segunda posição, mas não conseguiu acompanhar o ritmo dos demais nadadores. O carioca lamentou a queda de rendimento e revelou ter se sentido cansado no início da prova.

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Na sexta-feira, o carioca disputa os 1.500 metros livres – Satiro Sodré/SSPress/CBDA/Direitos Reservados

Rugby de 7

A seleção brasileira feminina de rugby de 7 estreou na Olimpíada, na noite desta quarta-feira (28) no Estádio de Tóquio, perdendo para o Canadá por 33 a 0. Em seguida, às 5h de quinta-feira, as Yaras, como é conhecida a equipe nacional de rugby, enfrentou a França e perdeu por 40 a 5, no grupo B da competição.

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Brasil estreou contra o Canadá em Tóquio – Gaspar Nóbrega/COB/Direitos Reservados

Tênis

O tenista sérvio Novak Djokovic deu mais um passo rumo a um histórico Golden Slam (vencer o Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon, o US Open e os Jogos Olímpicos na mesma temporada) nesta quarta-feira, avançando para as quartas de final do torneio de simples dos Jogos de Tóquio (Japão), enquanto outros competidores reclamaram das condições de calor e umidade.

Nas duplas mistas, Djokovic e Nina Stojanovic venceram a dupla brasileira formada por Marcelo Melo e Luisa Stefani por 2 sets a 0, parciais de 6-3 e 6-4, pela primeira rodada.

Recepção no Brasil

A mais jovem medalhista olímpica do Brasil, Rayssa Leal, a Fadinha chegou ontem ao país e preferiu cancelar uma recepção com fãs em sua cidade natal, Imperatriz, no Maranhão, para evitar aglomerações durante a pandemia de covid-19. Ela disse que os próximos dias serão dedicados a sua família.

Covid-19

O norte-americano bicampeão mundial do salto com vara Sam Kendricks e o rival German Chiaraviglio, da Argentina, foram excluídos das Olimpíadas nesta quinta-feira, após teste positivo para covid-19, em meio ao aumento dos casos na cidade-sede dos Jogos.

Os casos diários em todo o país chegaram a 10 mil pela primeira vez, informou a mídia japonesa.

Sam Kendricks compete na Diamond League em Estocolmo - atleta testa positivo para covid-19 em 29/07/2021 e está fora de Tóquio 2020 - Olimpíada
Sam Kendricks testou positivo para covid-19 e está fora da Olimpíada. Na imagem, ele compete na Diamond League em – TT News Agency via REUTERS/Christine Olsson/tt/Direitos Reservados

Estreia nesta sexta-feira

A programação do atletismo na Olimpíada de Tóquio terá estreia do novo revezamento 4x100m misto amanhã, no qual equipes de dois homens e duas mulheres competirão pela medalha de ouro, oferecendo imprevisibilidade e intrigantes combinações aos torcedores.

O nível de imprevisibilidade da corrida ocorre pois não há regras de gênero definindo a ordem dos atletas na corrida. A surpresa em relação à ordem dos atletas promete manter os torcedores tentando adivinhar ao longo do evento, embora a formação homem-mulher-mulher-homem seja a favorita da maioria das equipes.

Treino do atletismo misto antes dos Jogos.
Treino do atletismo misto antes dos Jogos – Wander Roberto/COB/Direitos Reservados

Por: Agência Brasil

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