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Brasil

Atenção extrema e motivação infinita

Você já focou tanto em um trabalho que esqueceu de comer e realizar hábitos vitais do dia a dia sem perceber?

Foto:katemangostar/FREEPIK

De acordo com relatos biográficos, ao trabalhar no teto da Capela Sistina, no Vaticano, Michelangelo Buonarroti (1475-1564) esteve de tal modo absorvido em seu trabalho artístico, que ignorou a fome, o sono e o cansaço, submetendo-se ao desconforto até desmaiar de exaustão. Por mais de uma semana, não trocou as roupas e os sapatos, a ponto de a pele dos pés se descolarem quando precisou retirá-los. Sua capacidade de persistir no trabalho criativo, desconsiderando a fome e a fadiga, indica que Michelangelo foi o que a Psicologia que estuda a motivação denomina de “personalidade autotélica” – do grego autos (eu), e telos (fim). Trata-se do indivíduo que desfruta significativamente de sua atividade, deixando-se absorver completamente enquanto retira da mesma o máximo de motivação e gratificação. Geralmente, tais pessoas fazem as coisas em razão de si mesmas, do próprio prazer que extrai delas, em vez de buscarem nas mesmas uma meta, um resultado esperado ou um objetivo externo em relação à atividade. A experiência de realização em torno de determinada atividade não visa um fim, pois o próprio processo já é o fim desejado. É como o escritor que não escreve um livro para se divulgar ou se tornar reconhecido, mas simplesmente porque escrever o faz se sentir vivo e realizado, levando-o àquele estado de profunda gratificação, que os psicólogos que estudam a criatividade e as bases da motivação intrínseca chamam de flow.

Desde os primeiros estudos sobre o processo criativo, realizados na década de 1960, pesquisas qualitativas e quantitativas, que exploram as bases da motivação intrínseca, observam o perfil de pessoas que buscam atividades com grande fervor e dedicação, sem que haja qualquer tipo de recompensa externa para isso. O substrato dessa motivação (flow) exprime o estado de viver em “capacidade total” em torno de um trabalho ou atividade que envolva a experiência criativa. Até o presente, as observações que apontam para o estado de flow o definem como um estado subjetivo que envolve as seguintes características:

  1. Concentração intensa e dirigida naquilo que se está fazendo no momento;
  2. Fusão de ação e consciência;
  3. Perda da autoconsciência reflexiva, ou seja, perda da consciência de si mesmo como ator social;
  4. Sensação de que pode controlaras próprias ações, sentindo a segurança de que se pode responder ao que quer que aconteça a seguir;
  5. Distorção da experiência temporal (sensação de que o tempo passou mais rapidamente do que o normal);
  6. Experiência da atividade como sendo intrinsecamente gratificante, a ponto do resultado final ser apenas um efeito colateral do processo.

A absorção, ou seja, o flow presente nessas experiências momentâneas de alto rendimento, envolve basicamente uma intencionalidade da atenção. Pela concentração intensa e o envolvimento exigidos para a atividade, ocorre uma fusão entre ação e consciência, em que a última encontra o seu fluxo genuíno na ação criativa, produzindo assim, uma subtração da atenção voltada para o eu. O flow surge no momento em que o eu é completamente apagado do cenário da consciência. Pela ausência de crítica e preocupação com o próprio desempenho, somado a uma postura de mindfulness, caracterizada pela ausência de julgamento, a consciência se expande em direção ao flow profundo. O tempo em que se passa absorvido nesse estado criativo sofre uma distorção por parte da consciência, pois, ao contrário do estado de tédio, passa rapidamente sem que o envolvido o perceba. No dizer dos poetas, o tempo cronológico (objetivo) é superado pelo tempo kairológico (subjetivo, tempo do coração), em razão da experiência de deleite realizada.

Em pesquisa realizada com adultos norte-americanos, Abuhamdeh (2000) observou que, quando comparada com pessoas que não apresentam tais características, a personalidade autotélica opta por situações que estimulem o seu crescimento, envolvendo-se em todas as oportunidades que desafiem suas habilidades. Outra constatação é de que as mesmas tendem a apresentar baixo estresse, pois mantêm seu interesse no quadrante de fluxo (flow). Como o estado de flow promove recompensas intrínsecas para a saúde mental, um dos objetivos da Psicologia Positiva é ajudar as pessoas a identificar as atividades que estimulem o flow, mediante duas perspectivas que perpassem suas rotinas: 1. encontrar e dar forma a atividades e ambientes que conduzam mais a experiências de flow; e 2. identificar características pessoais e habilidades de atenção que possam ser aprimoradas para aumentar as probabilidades de flow.

Como o estado de flow e a personalidade autotélica, que dele se desenvolve, se baseiam em um reconhecimento do próprio talento e da área de interesse que o promove, é lícito questionarmos os padrões de desenvolvimento pessoal em torno de nossas atividades desde o ensino fundamental. Vivemos um modelo pedagógico generalista que condiciona os indivíduos a reproduzirem informações comuns em vez de estimular talentos individuais. Essa educação que promove mais a domesticação, em torno da informação, do que o estímulo da aptidão individual vem produzindo indivíduos desplugados dos seus talentos e predicados individuais. Sobreposto a isso, em muitas experiências familiares da atualidade, vemos se reproduzir a lógica da imposição das expectativas paternas sobre os interesses originais dos seus descendentes. Um indivíduo que nasce com o interesse e talento para ser pianista muitas vezes precisa colidir ou não, dependendo do seu temperamento, se é mais agressivo ou mais passivo, com as expectativas dos seus pais. Pais críticos e cheios de expectativas narcisistas em relação aos seus filhos, ou pais frustrados, que não conseguiram realizar os próprios sonhos, sabotam um talento de forma tão inconsciente quanto inconsequente. Esforçam- se em domesticar seus filhos forçando-os aos seus desejos, sem se ocuparem em perceber os talentos e interesses naturais dos seus descendentes. As demandas coletivas solapam e sabotam o desenvolvimento das singularidades, e, como a singularidade é a característica mais profunda e definidora de todos nós, precisamos lutar com afinco,tanto contra a família quanto contra a cultura para nos tornarmos o que realmente somos.

Um dos grandes desafios da Psicologia e da Pedagogia atuais é fornecer modelos e parâmetros saudáveis que esclareçam e estimulem os talentos individuais, em vez de generalizar formatos e padrões que dissociem os indivíduos de suas áreas de interesse mais fecundo, vinculadas ao desenvolvimento de suas personalidades. Quanto maior o número de personalidades autotélicas, melhor o desenvolvimento e enriquecimento da cultura em que vivem.

Por: Vitor Santiago Borges

IMPIInstituto de Medicina e Psicologia Integradas

RT: Dalmo Garcia Leão CRM 4453

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Saúde

Covid-19: Brasil registra 11.716 novos casos e 318 mortes

Recuperados chegam a 96%; Mais de 116 milhões estão imunizados

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Foto:Reprodução twitter Marcelo Queiroga

O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado hoje (23) mostra que o Brasil registrou 11.716 novos casos de covid-19 em 24 horas. Segundo o informe, pouco mais de 222 mil casos – o equivalente a 1% do total de contaminados – segue em acompanhamento, enquanto 20.895.886 pessoas (96,2%) são consideradas curadas da doença. 

O boletim mostra que foram registrados 318 óbitos por covid-19, enquanto 3.045 mortes estão em investigação. Nos últimos 3 dias foram registradas 159 mortes por síndrome respiratória aguda grave (Srag).

Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde mostra os dados atualizados da pandemia no Brasil.

Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde mostra os dados atualizados da pandemia no Brasil. – Ministério da Saúde


No total, o Brasil já registrou 21.723.559 casos confirmados de covid-19.

Estados

No ranking de casos e óbitos por estados, São Paulo não atualizou os números de hoje, mas segue em primeiro lugar com cerca de 25% do total de óbitos no país – 151.471. O estado já registrou 4.396.904 casos de covid-19. Em segundo lugar está o Rio de Janeiro, com 67.997 óbitos e 1.314.605 casos da doença. Minas Gerais, em terceiro, teve até agora 55.383 óbitos e 2.177.140 diagnósticos positivos.

Vacinação

Segundo registra o painel nacional de vacinação do Ministério da Saúde, 269 milhões de doses de vacinas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) já foram aplicadas na população brasileira. Destas, 152.844.546 são referentes à primeira dose, enquanto 116.507.409 são referentes à segunda dose ou dose única, no caso dos imunizados com a vacina da Janssen. A ferramenta mostra que foram aplicadas mais de 2,9 milhões de doses nas últimas 24 horas – número superior à meta da pasta, que visa imunizar 2 milhões de pessoas diariamente.

Por: Agência Brasil

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Educação

Escolas públicas do Rio recebem oficina sobre deslizamento de encostas

Aulas fazem parte do projeto Encosta Viva, da UFRJ

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Foto:Fernando Frazão/Agência Brasil

É com areia, barro, brita e água que integrantes do projeto Encosta Viva mostram a estudantes de escolas públicas como ocorre um deslizamento de terra. Na maquete colocada diante da turma de 8º ano da Escola Municipal Reverendo Martin Luther King, na Praça da Bandeira, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, na última quinta-feira (21), bastou aumentar a inclinação da encosta e adicionar água que logo pequenas casas se deslocaram ladeira abaixo. A forma de ensinar é lúdica, mas o tema é de extrema importância e gravidade. 

Saber os motivos desses desastres, as formas de evitá-los e as ferramentas de alerta que existem no município pode ajudar a salvar vidas. É com esse objetivo que professores e estudantes universitários realizam, em outubro e novembro, a oficina Um dia a terra cai. Financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), as aulas fazem parte do projeto de extensão Encosta Viva, vinculado à Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  

Oficina sobre deslizamentos de terra para alunos de escolas municipais

Oficina sobre deslizamentos de terra para alunos de escolas municipais – Fernando Frazão/Agência Brasil

“Vocês sabem o que é um desastre?”.  Quem faz a pergunta é a estudante de engenharia mecânica da UFRJ Isabela Cardoso, 21 anos, logo no início da oficina. Isabela entrou no Encosta Viva por se identificar com a situação. Ela mora em local de risco de deslizamento no Rio, no morro do Salgueiro, no bairro da Tijuca, na Zona Norte da cidade.

“Eu vivo isso, eu vejo, sinto na pele como é ver um deslizamento. É algo muito triste. Saber que isso poderia ser evitado com conscientização, acho que faz muita diferença. A gente começa pela base, que são crianças, jovens e adolescentes, porque a maioria deles leva esse tema para casa, onde abordam e comentam o assunto”, diz. 

Mais da metade da área do estado do Rio de Janeiro tem suscetibilidade a deslizamentos classificada como muito alta, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estudo divulgado em 2019, mostra que 53,9% do território fluminense está no nível máximo de risco. Outros 19,9% estão classificados como alta suscetibilidade, a segunda faixa mais elevada. O estado é o líder absoluto entre as unidades da federação em termos de áreas com maior suscetibilidade. O estado vizinho, Espírito Santo, aparece em segundo lugar, com 44,9% do território com suscetibilidade muito alta e 19,9%, alta.

Escolas públicas

Oficina sobre deslizamentos de terra para alunos de escolas municipais

Oficina sobre deslizamentos de terra para alunos de escolas municipais – Fernando Frazão/Agência Brasil

“A oficina conta com maquetes e objetos para trazer experiência lúdica para os alunos e buscar essa interação com eles. Foram escolhidas escolas próximas a morros, onde alguns dos alunos moram. Não necessariamente eles vivenciam deslizamentos, mas moram em comunidades que sofrem problemas de deslizamento”, diz o professor da Escola Politécnica da UFRJ e coordenador do projeto, Marcos Barreto de Mendonça. 

As escolas municipais Reverendo Martin Luther King, onde a oficina ocorreu na última semana, e Thomas Mann, no Cachambi, onde ocorrem na próxima semana, ambas na Zona Norte do Rio, são as primeiras unidades escolares a receberem atividade educativa sobre desastres associados a deslizamentos voltada para estudantes do ensino fundamental. A intenção é que o projeto siga no ano que vem e que envolva também agentes públicos que lidam diretamente com a questão dos deslizamentos.

Além de abordar os motivos dos deslizamentos, entre eles, escavações, acúmulo de lixo e desmatamento, a oficina mostra os mecanismos de alerta existentes e os canais de assistência. “Hoje tem alarme pela cidade inteira. O sistema é aplicado no mundo inteiro. Isso é uma medida emergencial. É importante entender o que é esse sistema de alerta e conhecer o alarme de forma que o morador participe de ações previstas”, explica Mendonça. 

Na turma do 8º ano, a maior parte dos alunos nunca ouviu uma sirene de alerta. E mesmo quem ouviu, às vezes, não a levou à sério. “Eu, por experiência própria, às vezes não acreditava. Ouvia a sirene tocando e via que a terra não deslizava. Que bom que não deslizou. A sirene está alertando que há risco de deslizamento, não quer dizer que vá deslizar. Mas você deve se ligar nos alertas, nas sirenes, [conhecer] os pontos de apoio”, diz Isabela. 

A estudante Ester Carvalho, 13 anos, que participou da aula, decorou as orientações. “A minha casa não tem risco de deslizamento, mas eu pude aprender muito, posso informar um familiar meu ou quem mora perto disso: ‘olha, quando tocar a sirene, fique ligado, procure um lugar seguro’, e, assim, proteger eles”, diz

Intercâmbio de conhecimento

Oficina sobre deslizamentos de terra para alunos de escolas municipais

Oficina sobre deslizamentos de terra para alunos de escolas municipais – Fernando Frazão/Agência Brasil

Segundo a diretora adjunta da Martin Luther King, Priscila Maria Conceição Costa, para a escola, é importante o contato e intercâmbio com universidades. Além disso, o tema é de interesse da instituição. “Se tratando de uma escola pública, isso é mais importante ainda porque esse projeto sobre deslizamento em encostas atinge principalmente o nosso público de escola pública, morador de comunidade, das favelas, do entorno e que moram em morro e que sofrem com essas catástrofes todos os anos. Veem deslizamento de casa, mortes de famílias”. 

As aulas também discutem a ocupação desordenada da cidade e a necessidade de políticas públicas voltadas para a moradia, uma vez que a construção de casa em morros está, muitas vezes, associada a causas de deslizamentos. “As pessoas fazem isso porque não têm alternativa de casa”, diz a estudante Evelyn Medeiros, 15 anos. “É uma coisa muito séria. Principalmente agora, com a pandemia, as pessoas estão perdendo dinheiro e veem isso como alternativa fácil e barata e não é. Tem risco de morte. São vidas”.

Isabela reforça: “Não é uma situação que nós escolhemos: viver em uma área de risco. Têm pessoas que não têm para onde ir, então, é compreensível que a gente leve essa conscientização para as escolas, para adolescentes e jovens, mas também esse engajamento para eles batalharam e não desistirem. A conscientização que podem ter coisa melhor, podemos ter coisa melhor, me sinto incluída nesse projeto me sinto incluída em todas as áreas”. 

Orientações 

Além das sirenes, há os pontos de apoio, para onde a população deve ir em caso de risco de deslizamento – geralmente, associações de moradores, escolas e outros espaços devidamente identificados. O Rio de Janeiro conta com o Sistema Alerta Rio da prefeitura, que emite mensagens e boletins de alerta à população sempre que há previsão de chuvas intensas que possam gerar inundações de vias públicas e/ou acidentes geotécnicos em encostas. Em caso de desastres desse tipo, é preciso acionar a Defesa Civil pelo número 199.

Por:Agência Brasil

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Brasil

Estudo aponta redução de atendimentos de saúde mental durante pandemia

UnB, UFGRS e Hospital das Clínicas de Porto Alegre fizeram a pesquisa

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Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado no periódico internacional The Lancet apontou uma queda do atendimento de saúde mental durante a pandemia. O trabalho indicou o impacto da pandemia da covid-19 sobre este tipo de cuidado, em um momento de crescimento de transtornos mentais, como ansiedade e depressão.

Segundo análise de pesquisadores da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, foram registrados nos primeiros seis meses da pandemia 1,18 milhão de atendimentos ambulatoriais relacionados à saúde mental.

Esse número, segundo os autores, é 28% abaixo do que seria esperado. A expectativa a partir dos dados de períodos anteriores era de uma média de 1,66 milhão de procedimentos deste tipo.

Os atendimentos de grupo tiveram uma queda de 68%. Nos seis meses examinados pelo estudo, ocorreram 102,4 mil atendimentos coletivos. Entretanto, a expectativa a partir das médias de anos anteriores era de 317,8 mil.

A hospitalização psiquiátrica também sofreu com a pandemia, com uma redução de 33%. As internações entre março e agosto de 2020 totalizaram 289,2 mil. Mas a média esperada era de 430,3 mil.

A pesquisa também identificou procedimentos associados à saúde mental que cresceram durante a pandemia. As consultas de emergência nessa área subiram 36%. Já o atendimento domiciliar teve um acréscimo de 52%. Os dados sinalizam a opção das pessoas por evitar o ambiente de clínicas e hospitais e serem atendidas em seus lares.

“Nossos achados mostram uma mudança dramática na assistência à saúde mental durante a pandemia. Esse fenômeno pode agravar a crise de saúde mental e gerar uma pandemia paralela que pode durar por um tempo maior do que a pandemia da covid-19”, concluem os autores no estudo.

Por: Agência Brasil

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