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Cérebro: a máquina mais poderosa do corpo humano

O corpo humano pode desempenhar diversas funções, no entanto possúimos um orgão que é o mais importante do sistema nervoso, o cérebro, pois ele controla o corpo todo.

Foto:FREEPIK/user5121831

O CÉREBRO

o cérebro humano é realmente incrível. Se você ganhasse um real para cada neurônio em seu encéfalo você seria bilionário. Dentro de nossos crânios, habitam cerca de cem bilhões de neurônios vivos, ativos e que se comunicam. Todas essas células foram organizadas e conectadas com uma complexidade nunca antes testemunhada no Universo, resultando em seres igualmente inéditos. É certo que nós, seres humanos, somos mais uma espécie de animais em meio a muitas outras. Somos vertebrados como os calangos, mamíferos como as onças-pintadas e primatas assim como os saguis ou os macacos-pregos. No entanto, certamente não somos apenas isso. Afinal de contas, onde já se viu macacos construindo arranha-céus, ou onças pintadas recitando poemas ou até mesmo calangos indagando “Ser ou não ser?Eis a questão”? Tais feitos, e muito outros, são únicos à espécie humana.

“Algumas funções do cérebro humano a linguagem me vem à mente são tão poderosas que eu chegaria ao ponto de afirmar que elas produzem uma espécie que transcende a condição simiesca no mesmo grau em que a vida transcende a química e a física triviais””

– Dr. V. S. Ramachandran

Foto:FREEPIK/k_e_n

Nosso cérebro nos capacita para a realização de obras espetaculares e isso faz dele um órgão singular e sem precedentes. Porém, mesmo sendo único, ele também é mais um órgão em meio a vários outros, assim como nós somos mais uma espécie entre várias outras, e como tal possui suas fragilidades, seus limites e suas necessidades para se manter saudável.

Componente principal de nosso sistema nervoso central, nosso cérebro consome aproximadamente 20% de toda a energia produzida pelo organismo, chegando a utilizar 25% do oxigênio inspirado. Mesmo dispondo de tamanhas reservas energéticas, o poderoso cérebro está sujeito a doenças, transtornos, distúrbios e múltiplas disfunções. Não é à toa que a doença denominada de “Mal do século XXI” é um distúrbio mental, a depressão.

Impactos fortes na cabeça, altos níveis de estresse, o abuso de álcool, uma dieta inadequada e vários outros fatores podem prejudicar o cérebro, gerando distúrbios mentais dos mais variados. Por exemplo, você sabia que não é tão raro, nos consultórios de psiquiatria do SUS, o aparecimento de pessoas que sofreram um acidente de moto, bateram a cabeça, e desenvolveram um transtorno psicológico denominado de agnosia, em que elas perdem a capacidade de reconhecer objetos de uso comum, como um relógio. A pessoa até sabe a função e a aparência, mas ao ser questionada quanto ao nome do objeto ela se mostra incapaz de responder, memo estando com sua fala intacta.

No entanto, os distúrbios que afligem, em massa a população brasileira, e até mesmo a população mundial, são os distúrbios de humor, como a ansiedade e a depressão. Para tais doenças, não se faz necessário um acidente de trânsito; elas não discriminam por cor, credo, poder aquisitivo ou localidade. Em todo o mundo, qualquer tipo de pessoa pode ser acometida por esses transtornos em algum momento de sua vida.

Essa fragilidade que nosso cérebro apresenta possui um lado positivo. Diante de todas essas doenças, a raça humana se encontra profundamente movida a buscar maneiras de prevenir, tratar e curar esses problemas. Há, atualmente, um empreendimento em nível mundial para melhorarmos nossa saúde cerebral e, assim, alcançarmos mentes saudáveis. A consciência para o cuidado do cérebro aumenta cada vez mais, nos dando boas expectativas para o futuro de nosso bem-estar mental.

UM ORGÃO A SER CUIDADO

Por mais incrível e complexo que seja, o cérebro também é finito e frágil. Também precisa de oxigênio, água, sais minerais, açúcares, enfim as necessidades comuns a qualquer órgão humano. No entanto, a noção de que o cérebro é mais um órgão e que precisa de cuidados, assim como o coração, não é tão presente em nossa população. Por exemplo, em 2015, o Brasil possuía cerca de 13 mil médicos especialistas em cardiologia, porém, em neurologia, eram apenas 4 mil, quase dez mil médicos a menos, conforme a demografia médica no Brasil, realizada pela USP. Tal fator reflete uma possível falta de consciência tanto populacional quanto governamental sobre os cuidados que devemos tomar com nossa saúde cerebral.

Foto: FREEPIK/user6447541

Somente em nível de exemplo, nos Estados Unidos, onde existem fortes campanhas em prol da consciência da saúde cerebral – as Brain Awareness weeks, por exemplo – foram investidos 6 bilhões de dólares somente em pesquisas nas áreas da neurociência, enquanto que o investimento em pesquisas das doenças do coração foram de 1,3 bilhões, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (o NIH). Demonstrando assim que a saúde cerebral é, sim, prioridade.

Entre as funções cerebrais mais afetadas em todo o mundo estão as funções cognitivas, pois elas estão entre os principais alvos de várias doenças mentais e cerebrais mais comuns. Os distúrbios de humor, como a depressão e ansiedade, as demências, como a doença de Alzheimer e os déficits de atenção, como o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), já são problemas bem conhecidos de toda população brasileira e todos afetam a cognição.

A ansiedade e a depressão podem ser causadas por fatores endógenos, como uma deficiência nutricional, baixa de vitamina B12 ou ácido fólico, por exemplo. Fatores exógenos também podem acarretar esses distúrbios de humor, como situações adversas constantes, que geram altos níveis de estresse para o indivíduo. Tais distúrbios afetam várias funções cerebrais, desde as emoções, sensações e percepção até os níveis cognitivos superiores como o raciocínio e a memória. Tudo isso reduz a expectativa de vida saudável dos brasileiros em quase dez anos, conforme um indicador do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, EUA, realizado em 2015.

Podemos e devemos cuidar da saúde de nosso cérebro. Em sua carta para a comunidade da cidade de Filipos, na Grécia, S. Paulo fez uma declaração interessante. Ele demonstrou sua preocupação pela saúde emocional e cognitiva – percepção e intelecto – de seus amigos ao afirmar:

” Esta é a minha oração: que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção, para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo.”

Filipenses 1:9-10. NVI.

SEU CERÉBRO SAUDÁVEL

No documentário “O cérebro”, do canal History Channel, a seguinte frase é citada “Aprendemos mais sobre ele (o cérebro) nos últimos cinco anos do que nos últimos cinco mil anos”. Uma frase um tanto quanto forte, porém verdadeira. Estudar o cérebro não é algo fácil, você consegue imaginar como se pode acessar as características mais complexas do cérebro humano? Como podemos quantificar emoções? Localizar anatomicamente as memórias? Ou entendermos as bases orgânicas do que chamamos de consciência?

Se você pensou em tecnologias de ponta e equipamentos de acesso neural que mais parecem ter vindo de filmes de ficção científica, você acertou, em parte pelo menos. Existem várias metodologias psicológicas que conciliam a complexidade cerebral com tratamentos surprendentemente simples e que não necessitam de maquinários tecnológicos avançados, permitindo assim um acesso indireto às funções neurais. No entanto, atualmente, diferentemente de outras épocas, nós temos em mãos não somente os mais incríveis aparatos de acesso neural, como temos também uma gama de profissionais especializados no cérebro.

Hoje podemos estimular grupos específicos de neurônios do córtex cerebral utilizando campos magnéticos, com uma metodologia high-tech chamada de estimulação magnética transcraniana (cuja sigla vem do inglês, e é TMS). Podemos, assim, potencializar a atenção sustentada, ou então simplesmente estimular uma região do córtex que irá ajudar a pessoa a relaxar e descansar. Podemos também examinar níveis de ansiedade, depressão ou propensões a disfunções mentais, mensurando parâmetros biológicos como a frequência cardíaca, a resposta fisiológica e até mesmo a predominância das ondas cerebrais de cada indivíduo, permitindo assim um tratamento altamente personalizado e preciso.

No IMPI, nossa equipe tem em mãos, além de outras metodologias, as tecnologias citadas acima. Temos também um leque de profissionais especializados no cérebro e na mente. Desde médicos, psicólogos e psiquiatras até fonoaudiólogos, psicopedagogos, nutricionistas, neuropsicólogos e fisioterapeutas, todos capacitados para tratarem de forma meticulosa nossa mente e cérebro, tendo resultados que estendem -se também a todo o organismo.

No IMPI, nossa equipe tem em mãos, além de outras metodologias, as tecnologias citadas acima. Temos também um leque de profissionais especializados no cérebro e na mente. Desde médicos, psicólogos e psiquiatras até fonoaudiólogos, psicopedagogos, nutricionistas, neuropsicólogos e fisioterapeutas, todos capacitados para tratarem de forma meticulosa nossa mente e cérebro, tendo resultados que estendem se também a todo o organismo.

Lembre-se que seu cérebro é mais um órgão. E é, sim, incrível, complexo e poderoso em suas funcionalidades, mas também possui necessidades e uma saúde a ser cuidada. Mantenha-se saudável, não somente em seu coração, seus pulmões ou seus rins, mas também em sua mente, seu espírito e em seu cérebro.

Por: Francisca Sampaio Leão

IMPIInstituto de Medicina e Psicologia Integradas

Brasil

Adolescência: fase humana que possui mais desafios

Talvez você se pergunte: porque é na adolescência que nos encontramos mais rodeados de desafios? isso se dá por muitos fatores, mas o principal deles é que o adolescente tem muitas mudanças biológicas e cognitivas nessa etapa da vida, além do quesito social.

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Foto: Divulgação/FREEPIK

Dentro do desenvolvimento humano, a fase da adolescência é complexa. O adolescente passa por mudanças biológicas, cognitivas e emocionais, tornando-se mais focado em amigos, buscando uma maior independência fora de casa, entrando em conflito com os pais. Uma parte desses indivíduos passa sem grandes problemas, preparando-se para uma idade adulta saudável. No entanto, alguns experimentam problemas que vão desde abandono escolar, uso de drogas, delinquência, automutilação até suicídio.

Hoje, a investigação cientifica aplicada se orienta, cada vez mais, para ajudar os pais e os jovens em ambientes de risco e buscar a forma de desenvolver seus potenciais para encontrar uma melhor inserção na vida adulta sem grandes traumas e conflitos. Para isso, utiliza-se meio de terapias de grupo e individual, inserção social como atividades competitivas, arte (música, dança, teatro), olimpíadas de conhecimento (matemática, física, química, história e geografia), entre outros.

Outro fator importante no desenvolvimento da adolescência está ligado aos valores físicos e cognitivos, como a aparência física e o desenvolvimento escolar, que contribuem para o senso de identidade de um adolescente. Essas características devem ser avaliadas com cuidado pelos pais e orientadores, identificadas precocemente para serem desenvolvidas, respeitando as particularidades de cada um. Devemos considerar relevante as origens do comportamento sociocultural do adolescente, tendo em vista a diversidade social e étnica da população brasileira, além de hábitos e costumes ligados à matriz sociocultural. Essa diversidade pode ser dinamizada e integrada com um processo de inclusão social permanente e incisivo em todos os níveis educacionais, tanto públicos quanto privados, além da família e dos grupos sociais organizados.

Outro vetor básico a ser avaliado é o cérebro do adolescente que se encontra em desenvolvimento. De acordo com os neurocientistas, deve-se explorar o cérebro do adolescente e entender como ele se desenvolve. Existe uma desconexão básica entre o senso comum e o que realmente está acontecendo no cérebro desses jovens. Esse cérebro, ainda em desenvolvimento, tem uma grande plasticidade. É nesse período que o cérebro de uma pessoa será drasticamente reformulado pela última vez.

Os adolescentes são sensíveis a experiências e aprendizagem, já que existe um alto nível de inter- conexão entre estímulos e processamento cognitivo. É significativo quando observamos que os seres humanos se lembram com muita facilidade de sua adolescência. Esse é o momento em que se abre uma janela para fixar aprendizagens e metas.

Nessa fase da vida, o cérebro tem zonas mais plásticas que outras, criando certo desequilíbrio. O córtex pré-frontal controla planejamento e pensamento sobre o futuro, equilíbrio entre riscos, recompensas e raciocínio lógico. Os hormônios sexuais liberados por eles somados com fatores ambientais, como contradições culturais, incertezas e dúvidas, os tornam mais impulsivos, liberando mais dopamina no cérebro, e, portanto, com menos participação do controle Pré-frontal.

Em Busca da Identidade do Adolescente

Foto: Divulgação/FREEPIK

Segundo Erickon, a principal tarefa da adolescência é enfrentar a crise de identidade, de forma a se tornar um adulto único, com um senso de identidade coerente e um papel valorizado na sociedade. Essa crise de identidade pode não se resolver integralmente na adolescência, estendendo-se, com isso, até a fase adulta.

O que podemos entender em relação à crise de identidade na adolescência? Podemos considerar alguns componentes dessa complexa fase do desenvolvimento humano como, por exemplo, o papel do adolescente dentro da família, independência de pensamento e ação, inserção em grupos sociais (bairro, escola, clube e interação online), influência da cultura atual (religião, livros, filmes, teatro, músicas, dança, pintura-desenho e esportes).

Esses componentes interagem de diversas formas na cognição, na emoção e no comportamento do adolescente, tendo como resultado uma aproximação individual com a sociedade, levando em conta os traços básicos da personalidade e a formação desses indivíduos. Essa interação se organiza no seu dia a dia, aceitando ou rejeitando as experiências vividas, formando com elas comportamentos que podem ser de diferentes valores para sua consciência em reformulação (passagem da infância para adolescência).

Esse processo de identidade do adolescente passa por diferentes estágios, que pode se reproduzir de diferentes formas, dependendo do seu grupo social (mais estruturado – menos estruturado) no momento em que ele começa a interagir fora de sua casa, passando a formar parte da escola e dos grupos extraescolares.

É nesse período de sua vida, que ele sente a necessidade de ser aceito por um grupo. E, dependendo do grupo, que o aceitou ou com que ele se identificou, que podem começar alguns conflitos e os grandes desafios.

Principais conflitos e desafios dessa
fase do desenvolvimento

Foto: Divulgação/FREEPIK

Os conflitos que mais aparecem ultimamente no consultório estão ligados ao Bullying, ao sexo e às drogas.

O Bullying pode ser caracterizado por intimidação, comportamento agressivo que se destina a causar angústia ou dano, envolve um desequilíbrio de poder ou força entre o agressor e a vítima, e ocorre repetidamente ao longo do tempo. Ele pode assumir muitas formas, incluído física, verbal, relacional e cibernética.

Jovens que são vítimas dessas agressões têm uma tendência a ficarem isolados, o seu desempenho acadêmico cai, diminui a sua autoestima, são mais propensos ao suicídio.

Sugestões aos pais e cuidadores de
como enfrentar esse problema

A – Buscar ajuda especializada.
B – Conhecer o ambiente escolar e o grupo no qual o adolescente está inserido.
C – Conhecer o tipo de bullying que está sendo praticado.
D – Os pais e cuidadores devem entrar em contato direto com o indivíduo que está sofrendo bullying para dar apoio e estudar em conjunto a forma de se resolver o problema.
E – Entrar em contato com a escola, no sentido de cobrar da Instituição um programa contra a prática deste comportamento.

O sexo é um fator importante no desenvolvimento do adolescente, que se expressa em sua vida emocional, social e comportamental, em que a atividade hormonal tem uma participação importante por estar ligada diretamente com a atividade cerebral.
Essas mudanças se expressam por meio de condutas impulsivas, tímidas e pensamentos contraditórios.

Esse jovem, além de mudanças físicas e endócrinas, deve também incorporar elementos culturais do seu meio social de referência. É nesse momento que ele passa por um período de adaptação, como mudanças anatômicas, valores culturais, preconceitos, ideias fabricadas pelo meio cultural, etc.

Propostas para os pais e cuidadores

A – Observar a precocidade ou retardo nos interesses sexuais do adolescente.

B – Procurar conhecer o perfil de preferência de atração sexual para poder ajudar a esclarecer as dúvidas.

C – Incluir dentro da família, o sexo como um tema comum a ser tratado por meio de diálogos espontâneos.
D – Não considerar o sexo como um tabu.

Em relação ao uso de substâncias psicoativas, podemos identificá-lo como um problema extremamente complexo que pode ter um forte impacto em muitas dimensões da vida do adolescente, como obtenção do prazer, alívio das angústias e suposta abertura para novas realidades.

O adolescente encontra-se em um momento de conflitos entre a realização instantânea do prazer e o tempo que demanda a difícil formação profissional. A partir desses conflitos, é que o jovem busca caminhos curtos. Em outros retratos sociais, falta acesso aos bens culturais e educacionais e poucas perspectivas, dando espaço para a fantasia da droga.

Esse processo de mudanças acontece, também, no Sistema Nervoso central, com amplas modificações de neurônios e conexões nervosas para dar passo a uma nova etapa do crescimento. Por meio dessas mudanças externas (sociedade) e internas (cérebro), o jovem passa a enfrentar o contato com as drogas.

Essas modificações predispõem os jovens a reações imaturas, como impulsividade, irritabilidade e insegurança, além do desejo de aceitação dentro dos novos grupos, sendo a substância psicoativa atrati va nesta época. O jovem não conhece bem que o uso dessas substâncias pode causar danos irreversíveis à estrutura do cérebro e aumentar o risco de desenvolvimento de uma dependência química.

Sugestões para os familiares

A – Ficarem próximos do desenvolvimento do adolescente, enquanto indivíduo inserido em grupos.

B – A família precisa estabelecer um vínculo afetivo estreito com o jovem.

C – Desenvolver junto com o adolescente uma cultura ampla e objetiva sobre as drogas, dentro de sociedade e dos indivíduos; por meio de informações recomendadas.

D – Buscar conhecimentos e tratamentos com especialistas no tema, já que esse assunto tem dimensões universais.

Como proposta final, devemos lembrar que o cérebro do adolescente está nesse momento em uma fase de reformulação, tanto na estrutura quanto no funcionamento, o que favorece o processo de aprendizagem, a mudança de comportamento e as modificações de pensamento para um melhor enfrentamento com as novas expectativas de vida.

Por: Doralice Oliveira Sampaio e Jury Ricardo Gomez Garcia

IMPIInstituto de Medicina e Psicologia Integradas

RT: Dalton Garcia Leão CRM 4453

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Durante entrega de casas, Bolsonaro defende uso de hidroxicloroquina

Presidente afirmou ser perseverante ao enfrentar desafios

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Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da covid-19. Na tarde desta sexta-feira (11), durante cerimônia para a entrega de 434 casas a famílias de baixa renda do município capixaba de São Mateus (ES), Bolsonaro disse ter optado desde o início da pandemia por ir às ruas ao contrário de “ficar no Palácio da Alvorada” e que quando contraiu a doença tomou o medicamento.

“Desde o início da pandemia estive no meio de vocês, nas comunidades mais pobres de Brasília. Criticado por isso, poderia ter ficado no Palácio da Alvorada com todo o conforto do mundo, mas sempre preferi ficar ao lado do povo, sabendo que tinha um vírus mortal. Fui acometido do vírus e tomei a hidroxicloroquina”, disse Bolsonaro.

Durante a cerimônia, Bolsonaro disse ainda que talvez tenha sido o único chefe de Estado a procurar um remédio contra o coronavírus e que ouviu pessoas com conhecimento científico que indicaram o medicamento para o tratamento da covid-19.

“Talvez eu tenha sido o único chefe de estado que procurou o remédio para esse mal, tinha que aparecer alguma coisa. Ouvi pessoas que tinham conhecimento sobre o caso, mas quando eu falei que aquilo [a cloroquina] poderia ser bom, a oposição abriu uma guerra contra a gente”, afirmou. “Não vou esmorecer. Não sou cabeça dura, sou perseverante; lutamos para salvar vidas, enfrentamos os mais variados e cruéis desafios”, acrescentou.

Estudos científicos apontam que a cloroquina e hidroxicloroquina não possuem eficácia comprovada no tratamento de covid-19. A posição do presidente também é contrária à do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga que disse, nessa semana, durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, entender que esse tipo de medicamento não é eficaz para a covid-19.

Bolsonaro estava acompanhado dos ministros do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno, além do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Durante seu discurso, o chefe do Executivo disse ainda que não fechou comércios durante a pandemia e que jamais decretaria medidas de isolamento social, como a restrição de circulação nas cidades.

“Eu não fechei nenhum comércio, eu não destruí emprego e não tirei o ganha-pão de ninguém. Jamais decretaria toque de recolher”, disse.

“Tenho as Forças Armadas ao meu lado, sou o chefe supremo delas. Jamais elas irão às ruas para mantê-los em casa. Poderão, sim, um dia ir às ruas para garantir a sua liberdade e o seu bem maior, que é aquilo previsto em nossa Constituição”, afirmou.

Casa Verde e Amarela

Bolsonaro participou da entrega de 434 casas populares no município de São Mateus (ES). O conjunto, batizado de Residencial Solar São Mateus, foi construído com recursos federais. Composto por casas em lotes individuais com 41 m² de área privativa. O empreendimento, que integra o Programa Casa Verde e Amarela, vai beneficiar cerca de 1,8 mil pessoas da cidade capixaba.

Por: Agência Brasil

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CPI ouve cientistas sobre políticas de enfrentamento à pandemia

Pela primeira vez, colegiado ouve duas pessoas ao mesmo tempo

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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A microbiologista e diretora-presidente do Instituto Questão de Ciência, Natália Pasternak, afirmou nesta sexta-feira (11) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado que não existe qualquer evidência científica sobre a eficácia da cloroquina no tratamento da covid-19. Na avaliação da pesquisadora, usuários do medicamento e médicos defensores do chamado tratamento precoce com o fármaco se baseiam em “evidências anedóticas”. “Evidências anedóticas não são evidências científicas, elas não servem para a ciência, elas são apenas causos, histórias”, disse, ao afirmar que o medicamento já foi testado em casos leves e graves, em cobaias e humanos.

A cientista afirmou ainda que a cloroquina “nunca teve plausibilidade biológica para funcionar”. “O caminho pelo qual ela bloqueia a entrada do vírus na célula só funciona in vitro, em tubo de ensaio. Nas células do trato respiratório, o caminho é outro. Então, ela nunca poderia funcionar”, explicou.

Maierovitch

Pela primeira vez, o colegiado ouve duas pessoas ao mesmo tempo. Além de Natália Pasternak, o médico sanitarista e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Cláudio Maierovitch, presta depoimento à CPI. Na avaliação dele, faltaram planos adequados de enfrentamento à pandemia no governo federal.

Como exemplo, ele citou a questão dos insumos. “O plano prevê, necessariamente, o seu monitoramento. Nós estávamos acostumados a trabalhar com isso, em diversas crises, constituição de um Comitê de Operações de Emergência e Saúde, um acompanhando as respostas e necessidades de cada estado, de cada município”, acrescentou.

O sanitarista falou também sobre os primeiros medicamentos que estão sendo usados no tratamento de pessoas hospitalizadas pela covid-19, como os anticorpos monoclonais. “Além destes medicamentos dirigidos a auxiliar a defesa contra o vírus, os anticorpos, existem essas outras categorias, muitas vezes medicamentos usados para câncer, medicamentos usados em doenças reumatológicas também que tentam cuidar não de enfrentar o vírus, mas de diminuir a resposta excessiva do organismo ao vírus, coisa que é feita tradicionalmente com corticoides”, ressaltou. Ele acrescentou que existem medicamentos, inibidores de fatores endógenos, do próprio organismo, que provocam reações exacerbadas e que estão em estudo, alguns, já utilizados em fase inicial.

Para Cláudio Maierovitch, o tratamento em relação à covid-19 é de suporte, com ataque aos sintomas como a febre. Ele ressaltou a importância das medidas não farmacológicas e citou casos de sucesso de países como Portugal e Inglaterra, que adotaram medidas restritivas mais rigorosas. Na avaliação dele, para a queda da transmissão intensa do coronavírus no Brasil, seria necessário um lockdown por pelo menos duas semanas, o que impediria um “ciclo da doença”.

O médico se mostrou contrário à forma como a campanha de vacinação vem sendo conduzida no país. “O plano de imunização que tivemos é um plano pífio, que não entra nos detalhes necessários para um plano de imunização que deve existir no país. Não tivemos critérios homogêneos definidos para o Brasil inteiro de forma que ficou a cargo de cada estado e município definir seus critérios. Pode parecer democrático, mas frente a uma epidemia dessa natureza e escassez de recursos que temos, deixa de ser democrático para produzir iniquidades”, avaliou.

Por: Agência Brasil

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