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Colocando o prazer e bem-estar como prioridades em nossas vidas

O tempo todo buscamos o bem-estar e a felicidade ideal para lidarmos com situações e até mesmo para possuirmos mais conforto emocional no dia a dia. Mas Você sempre consegue alcançar esse prazer emocional?

Foto: Divulgação/FREEPIK

Buscamos o estado emocional ideal. Queremos nos sentir bem interna e externamente. Nosso compromisso não é com a dor, mas com o prazer e a felicidade.

Infelizmente não nos sentimos sempre assim. Precisamos lidar com dores e tristezas que são inevitáveis em nossas experiências. E, quando sentimos essas emoções, tentamos escapar delas, como se a dor e o desprazer fossem uma antítese do que queremos ou sonhamos. Queremos ser bem sucedidos e sempre de bem com a vida. Quando algo ocorre fora do nosso alcance, seja uma rejeição ou um insucesso, esmorecemos e deprimimos. Nossa vida interior está sempre direcionada ao prazer, jamais para a dor. É inato. Todos nós nascemos com o compromisso para o sucesso, para sermos amados e bem sucedidos. Buscamos o bem-estar de nós mesmos em todo e qualquer momento como um instinto tatuado inapagável. Se as coisas não ocorrem conforme nossas expectativas, mudamos de humor. Por que somos tão insaciáveis em tudo o que não precisamos, mas sempre no que queremos? Por que buscamos o tempo todo o nosso desejo e não o nosso crescimento? Porque ignoramos nossa lei natural de crescimento que definirá nossa real felicidade e finalidade.

Em 1920, Freud escreveu o texto “Além do Princípio do Prazer”, nele elaborou uma lei de “constância”, em que a quantidade de energia mais baixa possível corresponderia a uma diminuição de quantidade de excitação em nosso organismo psicofísico. Por isso escreveu: “A tendência dominante da vida mental e, talvez, da vida nervosa em geral, é o esforço para reduzir, para manter constante ou para remover a tensão interna devida aos estímulos”. Quando nos encontramos em um estado de tensão, seja física ou emocional, e dele conseguimos nos liberar, sentimos um prazer de grande efeito. Libertamo-nos da tensão que antes nos atormentava e, enquanto experimentamos essa liberação, um prazer real se manifesta.

Freud parte do princípio da homeostase, do equilíbrio psicológico e físico para definir o bem-estar humano. A partir desse princípio, entende que o ser humano sempre busca retornar a esse estado mental e físico em sua experiência, buscando um perpétuo estado de deleite e alívio e não querendo ser subtraído do mesmo. Esse é o princípio do prazer, mas em contrapartida a ele precisamos lidar com a realidade, que nem sempre, e muitas vezes, não atende a essa demanda. Do estado infantil à idade adulta, precisamos experimentar a dor, a frustração e o que não queremos encarar. É uma lei evolutiva da qual queremos sempre escapar. E, em nossa experiência emocional, que se torna mais complexa com o passar dos anos, tudo vai se tornando mais sutil. Um sentimento não atendido, uma demanda de nossa parte recusada, forma em nós aquele estado de tensão que não queremos tolerar. Quando fracassamos em uma intenção ou planejamento, a dor se torna complexa, emocional. Quando somos rejeitados e não acolhidos, o processo se desenvolve e se instala em nós em forma de sofrimento.

Mas nossa busca perpétua por prazer e pelo bem-estar imediato nos levará à felicidade, àquele estado mental que define a estabilidade do nosso ser? Não!

O ser humano é também predestinado à frustração e à dor se quiser evoluir. Sua evolução visa não o prazer, mas a felicidade. E, para sermos felizes, precisamos aprender a sentir a dor, por isso defino aqui três escolas distintas de “felicidade” e somente uma chegará à meta.

Foto: Jcomp/FREEPIK

Primeiro, os bon-vivants, que entendem a vida como usufruto e não como crescimento. Buscam se preencher com o momento presente. Querem gozar de cada momento, sem deixar passar nada! Imóveis, buscam o prazer sempre renovado.
O objetivo de vida não é criar e agir, mas desfrutar. Buscam o menor esforço ou apenas o esforço necessário parar encher de novo a taça de vinho. Como palmeiras preguiçosas, estendem-se o máximo possível para recolher os raios do Sol. O homem feliz, para esses, será aquele que souber saborear ao máximo o momento que tem em mãos.

Segundo, os preguiçosos e pessimistas, que encaram a vida como um problema ou fracasso. Sentem-se tão mal colocados diante da vida que a encaram como um constante escapar visando o próprio bem estar. Para esses, vale menos ser do que mais ser, e o melhor seria “ser de modo algum”. Querem uma vida sem problemas, sem riscos e por isso diminuem os contatos e esforços para não se arriscarem. Abaixam suas luzes e se fecham em suas epidermes e casulos, pois o ser feliz será aquele que pensar, sentir e desejar menos.

Por fim, os amantes, para os quais viver é ascender e descobrir, pois vale mais ser do que não ser, buscando tornarem-se sempre mais. Para esses, a felicidade e o bem-estar exigem conquista e cresci mento. Querem ir além para chegar a si mesmos. A felicidade e o prazer, sob esse ponto de vista, não é o bem buscado, mas efeito e recompensa de uma consciência alcançada ou um talento descoberto e realizado. É uma consequência do esforço, de uma tensão em direção ao crescimento. Sem buscar diretamente a felicidade, eles buscam a própria consciência. Tomam a posse do seu ser e encaram as próprias sombras querendo ultrapassá-las. Nada realizam, a menos que seja num crescendo. Felicidade de crescimento é a felicidade para os realizados na Terra, buscando conexões fundamen tais e vinculações vitais. Sob esse prisma, os seres humanos felizes precisam se desenvolver em três sucessivos movimentos:

CULTIVO DE SI MESMO

O ser humano só se torna humano na condição de se cultivar! Precisa buscar cada vez mais unidade em suas ideias, sentimentos e condutas. Ser íntegro. Cultivar-se é se apropriar de si mesmo. Ter compromisso em encarar e superar seus conteúdos em forma de apegos e dependência. Lidar com medos e paixões. Aprender com suas dores e ir além delas. Ter vida interior em direção a objetos cada vez mais elevados, a metamotivos e metavalores, como salientou o psicólogo humanista Abraham Maslow. É individuar-se segundo um dos maiores psiquiatras do último século e fundador da Psicologia Analítica, Carl Gustav Jung. O ser humano que se encontra na senda da individuação perde as influências da massa coletiva e se singulariza, tornando-se um ser humano original e consciente de si. Assumindo a substância de sua vida interior, ele se fecunda. Vai além das imagens e representações culturais e coletivas. Encontra-se consigo, tornando-se um ente singular em contato íntimo de descoberta. Um ser humano assim é feliz, pois encontrou sua humanidade. Não foge de si para se tornar refém de representações e imagens estéreis. Simplesmente torna-se, sem se preocupar ou se ocupar com os vícios narcísicos da comparação com os demais.

AUTONOMIA E ABERTURA

Por ter vida interior e contato consigo, o indivíduo não se isola, mas também não depende. Sem dependências emocionais sabe que a felicidade não está no outro, mas em si mesmo, no seu desenvolvimento interior. A ilusão de que outro o fará feliz se dissipa em consequência do seu contato íntimo. Por isso, a partilha é segura e fecunda. Encontra, no outro parceiro e nas demais relações, conexões de troca e não de dependência. Vertido para dentro, sabe viver para fora. A felicidade não está no outro, mas pode ser aquecida na partilha. Quer os outros como parceiros e companheiros emocionais a partir dos quais aquece a própria seiva da vida interior. Não dependência, mas encontro. Nas relações desenvolve um sofisticado senso de seletividade. Não está aberto a ter intimidade e familiaridade com todos, mas somente com aqueles que valem a pena.

CONEXÃO COM A VIDA E AMPLITUDE

Sendo cada vez mais ele mesmo, se esforça por ampliar a base do seu ser na descoberta do que o famoso psiquiatra e fundador da Logoterapia (terapia do Sentido), Viktor Frankl, chamou de “presença ignorada de Deus”. A última e primordial conexão do indivíduo é com o Sagrado, quando encontra seu senso de identidade costurado ao tecido da existência. Em carta ao amigo P.W. Martin, Jung escreveu: “ O maior interesse de meu trabalho não é o tratamento da neurose, mas a abordagem espiritual… que é a verdadeira terapia”. E, em outra carta escrita ao amigo Lucas Menz, afirmou: “ Descobri que todos os meus pensamentos circulam ao redor de Deus como os planetas ao redor do Sol, e são irresistivelmente atraídos por Ele. Sinto que seria um gravíssimo pecado opor qualquer resistência a essa força”. E, para o padre Victor White, escreveu: “ A divina presença é maior do que qualquer outra coisa. Existe mais de um caminho para a descoberta do genus divinum em nós. Essa é a única coisa que importa. Desejei ter a prova da existência de um Espírito vivo e a consegui. Não me pergunte a que preço”. Felicidade, além do princípio do prazer, é aquela base estável que não é dada, mas oferecida a todos que se sentem chamados a conquistá-la. Ela é o resultado de nosso crescimento interior, daquela evolução individual que só compete a nós realizar. Ela não está isenta de dor como também demanda coragem. Mais do que coragem, sobriedade e sensibilidade frente às ofertas contínuas da vida. Começa em nosso olhar e se dilata por todo o nosso ser. É uma lei de evolução e crescimento fundamental. A felicidade é uma escola de seleção em que os selecionados aprenderam a ser a partir de si mesmos. Aprenderam a dar as mãos para a vida aceitando seus desafios, contentamentos e descontentamentos. Ela cresce à medida que o ser humano passa pelas oscilações dos seus momentos visando mais. O além do princípio do prazer é aquele além em que podemos ser a partir do nosso ser. Mas, nesse processo, não temo afirmar: há dores que me são vitais, como também há prazeres que me são mortais.

Por: Vitor Santiago Borges

IMPIInstituto de Medicina e Psicologia Integradas

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Brasil

Adolescência: fase humana que possui mais desafios

Talvez você se pergunte: porque é na adolescência que nos encontramos mais rodeados de desafios? isso se dá por muitos fatores, mas o principal deles é que o adolescente tem muitas mudanças biológicas e cognitivas nessa etapa da vida, além do quesito social.

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Foto: Divulgação/FREEPIK

Dentro do desenvolvimento humano, a fase da adolescência é complexa. O adolescente passa por mudanças biológicas, cognitivas e emocionais, tornando-se mais focado em amigos, buscando uma maior independência fora de casa, entrando em conflito com os pais. Uma parte desses indivíduos passa sem grandes problemas, preparando-se para uma idade adulta saudável. No entanto, alguns experimentam problemas que vão desde abandono escolar, uso de drogas, delinquência, automutilação até suicídio.

Hoje, a investigação cientifica aplicada se orienta, cada vez mais, para ajudar os pais e os jovens em ambientes de risco e buscar a forma de desenvolver seus potenciais para encontrar uma melhor inserção na vida adulta sem grandes traumas e conflitos. Para isso, utiliza-se meio de terapias de grupo e individual, inserção social como atividades competitivas, arte (música, dança, teatro), olimpíadas de conhecimento (matemática, física, química, história e geografia), entre outros.

Outro fator importante no desenvolvimento da adolescência está ligado aos valores físicos e cognitivos, como a aparência física e o desenvolvimento escolar, que contribuem para o senso de identidade de um adolescente. Essas características devem ser avaliadas com cuidado pelos pais e orientadores, identificadas precocemente para serem desenvolvidas, respeitando as particularidades de cada um. Devemos considerar relevante as origens do comportamento sociocultural do adolescente, tendo em vista a diversidade social e étnica da população brasileira, além de hábitos e costumes ligados à matriz sociocultural. Essa diversidade pode ser dinamizada e integrada com um processo de inclusão social permanente e incisivo em todos os níveis educacionais, tanto públicos quanto privados, além da família e dos grupos sociais organizados.

Outro vetor básico a ser avaliado é o cérebro do adolescente que se encontra em desenvolvimento. De acordo com os neurocientistas, deve-se explorar o cérebro do adolescente e entender como ele se desenvolve. Existe uma desconexão básica entre o senso comum e o que realmente está acontecendo no cérebro desses jovens. Esse cérebro, ainda em desenvolvimento, tem uma grande plasticidade. É nesse período que o cérebro de uma pessoa será drasticamente reformulado pela última vez.

Os adolescentes são sensíveis a experiências e aprendizagem, já que existe um alto nível de inter- conexão entre estímulos e processamento cognitivo. É significativo quando observamos que os seres humanos se lembram com muita facilidade de sua adolescência. Esse é o momento em que se abre uma janela para fixar aprendizagens e metas.

Nessa fase da vida, o cérebro tem zonas mais plásticas que outras, criando certo desequilíbrio. O córtex pré-frontal controla planejamento e pensamento sobre o futuro, equilíbrio entre riscos, recompensas e raciocínio lógico. Os hormônios sexuais liberados por eles somados com fatores ambientais, como contradições culturais, incertezas e dúvidas, os tornam mais impulsivos, liberando mais dopamina no cérebro, e, portanto, com menos participação do controle Pré-frontal.

Em Busca da Identidade do Adolescente

Foto: Divulgação/FREEPIK

Segundo Erickon, a principal tarefa da adolescência é enfrentar a crise de identidade, de forma a se tornar um adulto único, com um senso de identidade coerente e um papel valorizado na sociedade. Essa crise de identidade pode não se resolver integralmente na adolescência, estendendo-se, com isso, até a fase adulta.

O que podemos entender em relação à crise de identidade na adolescência? Podemos considerar alguns componentes dessa complexa fase do desenvolvimento humano como, por exemplo, o papel do adolescente dentro da família, independência de pensamento e ação, inserção em grupos sociais (bairro, escola, clube e interação online), influência da cultura atual (religião, livros, filmes, teatro, músicas, dança, pintura-desenho e esportes).

Esses componentes interagem de diversas formas na cognição, na emoção e no comportamento do adolescente, tendo como resultado uma aproximação individual com a sociedade, levando em conta os traços básicos da personalidade e a formação desses indivíduos. Essa interação se organiza no seu dia a dia, aceitando ou rejeitando as experiências vividas, formando com elas comportamentos que podem ser de diferentes valores para sua consciência em reformulação (passagem da infância para adolescência).

Esse processo de identidade do adolescente passa por diferentes estágios, que pode se reproduzir de diferentes formas, dependendo do seu grupo social (mais estruturado – menos estruturado) no momento em que ele começa a interagir fora de sua casa, passando a formar parte da escola e dos grupos extraescolares.

É nesse período de sua vida, que ele sente a necessidade de ser aceito por um grupo. E, dependendo do grupo, que o aceitou ou com que ele se identificou, que podem começar alguns conflitos e os grandes desafios.

Principais conflitos e desafios dessa
fase do desenvolvimento

Foto: Divulgação/FREEPIK

Os conflitos que mais aparecem ultimamente no consultório estão ligados ao Bullying, ao sexo e às drogas.

O Bullying pode ser caracterizado por intimidação, comportamento agressivo que se destina a causar angústia ou dano, envolve um desequilíbrio de poder ou força entre o agressor e a vítima, e ocorre repetidamente ao longo do tempo. Ele pode assumir muitas formas, incluído física, verbal, relacional e cibernética.

Jovens que são vítimas dessas agressões têm uma tendência a ficarem isolados, o seu desempenho acadêmico cai, diminui a sua autoestima, são mais propensos ao suicídio.

Sugestões aos pais e cuidadores de
como enfrentar esse problema

A – Buscar ajuda especializada.
B – Conhecer o ambiente escolar e o grupo no qual o adolescente está inserido.
C – Conhecer o tipo de bullying que está sendo praticado.
D – Os pais e cuidadores devem entrar em contato direto com o indivíduo que está sofrendo bullying para dar apoio e estudar em conjunto a forma de se resolver o problema.
E – Entrar em contato com a escola, no sentido de cobrar da Instituição um programa contra a prática deste comportamento.

O sexo é um fator importante no desenvolvimento do adolescente, que se expressa em sua vida emocional, social e comportamental, em que a atividade hormonal tem uma participação importante por estar ligada diretamente com a atividade cerebral.
Essas mudanças se expressam por meio de condutas impulsivas, tímidas e pensamentos contraditórios.

Esse jovem, além de mudanças físicas e endócrinas, deve também incorporar elementos culturais do seu meio social de referência. É nesse momento que ele passa por um período de adaptação, como mudanças anatômicas, valores culturais, preconceitos, ideias fabricadas pelo meio cultural, etc.

Propostas para os pais e cuidadores

A – Observar a precocidade ou retardo nos interesses sexuais do adolescente.

B – Procurar conhecer o perfil de preferência de atração sexual para poder ajudar a esclarecer as dúvidas.

C – Incluir dentro da família, o sexo como um tema comum a ser tratado por meio de diálogos espontâneos.
D – Não considerar o sexo como um tabu.

Em relação ao uso de substâncias psicoativas, podemos identificá-lo como um problema extremamente complexo que pode ter um forte impacto em muitas dimensões da vida do adolescente, como obtenção do prazer, alívio das angústias e suposta abertura para novas realidades.

O adolescente encontra-se em um momento de conflitos entre a realização instantânea do prazer e o tempo que demanda a difícil formação profissional. A partir desses conflitos, é que o jovem busca caminhos curtos. Em outros retratos sociais, falta acesso aos bens culturais e educacionais e poucas perspectivas, dando espaço para a fantasia da droga.

Esse processo de mudanças acontece, também, no Sistema Nervoso central, com amplas modificações de neurônios e conexões nervosas para dar passo a uma nova etapa do crescimento. Por meio dessas mudanças externas (sociedade) e internas (cérebro), o jovem passa a enfrentar o contato com as drogas.

Essas modificações predispõem os jovens a reações imaturas, como impulsividade, irritabilidade e insegurança, além do desejo de aceitação dentro dos novos grupos, sendo a substância psicoativa atrati va nesta época. O jovem não conhece bem que o uso dessas substâncias pode causar danos irreversíveis à estrutura do cérebro e aumentar o risco de desenvolvimento de uma dependência química.

Sugestões para os familiares

A – Ficarem próximos do desenvolvimento do adolescente, enquanto indivíduo inserido em grupos.

B – A família precisa estabelecer um vínculo afetivo estreito com o jovem.

C – Desenvolver junto com o adolescente uma cultura ampla e objetiva sobre as drogas, dentro de sociedade e dos indivíduos; por meio de informações recomendadas.

D – Buscar conhecimentos e tratamentos com especialistas no tema, já que esse assunto tem dimensões universais.

Como proposta final, devemos lembrar que o cérebro do adolescente está nesse momento em uma fase de reformulação, tanto na estrutura quanto no funcionamento, o que favorece o processo de aprendizagem, a mudança de comportamento e as modificações de pensamento para um melhor enfrentamento com as novas expectativas de vida.

Por: Doralice Oliveira Sampaio e Jury Ricardo Gomez Garcia

IMPIInstituto de Medicina e Psicologia Integradas

RT: Dalton Garcia Leão CRM 4453

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Brasil

Durante entrega de casas, Bolsonaro defende uso de hidroxicloroquina

Presidente afirmou ser perseverante ao enfrentar desafios

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Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da covid-19. Na tarde desta sexta-feira (11), durante cerimônia para a entrega de 434 casas a famílias de baixa renda do município capixaba de São Mateus (ES), Bolsonaro disse ter optado desde o início da pandemia por ir às ruas ao contrário de “ficar no Palácio da Alvorada” e que quando contraiu a doença tomou o medicamento.

“Desde o início da pandemia estive no meio de vocês, nas comunidades mais pobres de Brasília. Criticado por isso, poderia ter ficado no Palácio da Alvorada com todo o conforto do mundo, mas sempre preferi ficar ao lado do povo, sabendo que tinha um vírus mortal. Fui acometido do vírus e tomei a hidroxicloroquina”, disse Bolsonaro.

Durante a cerimônia, Bolsonaro disse ainda que talvez tenha sido o único chefe de Estado a procurar um remédio contra o coronavírus e que ouviu pessoas com conhecimento científico que indicaram o medicamento para o tratamento da covid-19.

“Talvez eu tenha sido o único chefe de estado que procurou o remédio para esse mal, tinha que aparecer alguma coisa. Ouvi pessoas que tinham conhecimento sobre o caso, mas quando eu falei que aquilo [a cloroquina] poderia ser bom, a oposição abriu uma guerra contra a gente”, afirmou. “Não vou esmorecer. Não sou cabeça dura, sou perseverante; lutamos para salvar vidas, enfrentamos os mais variados e cruéis desafios”, acrescentou.

Estudos científicos apontam que a cloroquina e hidroxicloroquina não possuem eficácia comprovada no tratamento de covid-19. A posição do presidente também é contrária à do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga que disse, nessa semana, durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, entender que esse tipo de medicamento não é eficaz para a covid-19.

Bolsonaro estava acompanhado dos ministros do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno, além do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Durante seu discurso, o chefe do Executivo disse ainda que não fechou comércios durante a pandemia e que jamais decretaria medidas de isolamento social, como a restrição de circulação nas cidades.

“Eu não fechei nenhum comércio, eu não destruí emprego e não tirei o ganha-pão de ninguém. Jamais decretaria toque de recolher”, disse.

“Tenho as Forças Armadas ao meu lado, sou o chefe supremo delas. Jamais elas irão às ruas para mantê-los em casa. Poderão, sim, um dia ir às ruas para garantir a sua liberdade e o seu bem maior, que é aquilo previsto em nossa Constituição”, afirmou.

Casa Verde e Amarela

Bolsonaro participou da entrega de 434 casas populares no município de São Mateus (ES). O conjunto, batizado de Residencial Solar São Mateus, foi construído com recursos federais. Composto por casas em lotes individuais com 41 m² de área privativa. O empreendimento, que integra o Programa Casa Verde e Amarela, vai beneficiar cerca de 1,8 mil pessoas da cidade capixaba.

Por: Agência Brasil

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CPI ouve cientistas sobre políticas de enfrentamento à pandemia

Pela primeira vez, colegiado ouve duas pessoas ao mesmo tempo

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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A microbiologista e diretora-presidente do Instituto Questão de Ciência, Natália Pasternak, afirmou nesta sexta-feira (11) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado que não existe qualquer evidência científica sobre a eficácia da cloroquina no tratamento da covid-19. Na avaliação da pesquisadora, usuários do medicamento e médicos defensores do chamado tratamento precoce com o fármaco se baseiam em “evidências anedóticas”. “Evidências anedóticas não são evidências científicas, elas não servem para a ciência, elas são apenas causos, histórias”, disse, ao afirmar que o medicamento já foi testado em casos leves e graves, em cobaias e humanos.

A cientista afirmou ainda que a cloroquina “nunca teve plausibilidade biológica para funcionar”. “O caminho pelo qual ela bloqueia a entrada do vírus na célula só funciona in vitro, em tubo de ensaio. Nas células do trato respiratório, o caminho é outro. Então, ela nunca poderia funcionar”, explicou.

Maierovitch

Pela primeira vez, o colegiado ouve duas pessoas ao mesmo tempo. Além de Natália Pasternak, o médico sanitarista e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Cláudio Maierovitch, presta depoimento à CPI. Na avaliação dele, faltaram planos adequados de enfrentamento à pandemia no governo federal.

Como exemplo, ele citou a questão dos insumos. “O plano prevê, necessariamente, o seu monitoramento. Nós estávamos acostumados a trabalhar com isso, em diversas crises, constituição de um Comitê de Operações de Emergência e Saúde, um acompanhando as respostas e necessidades de cada estado, de cada município”, acrescentou.

O sanitarista falou também sobre os primeiros medicamentos que estão sendo usados no tratamento de pessoas hospitalizadas pela covid-19, como os anticorpos monoclonais. “Além destes medicamentos dirigidos a auxiliar a defesa contra o vírus, os anticorpos, existem essas outras categorias, muitas vezes medicamentos usados para câncer, medicamentos usados em doenças reumatológicas também que tentam cuidar não de enfrentar o vírus, mas de diminuir a resposta excessiva do organismo ao vírus, coisa que é feita tradicionalmente com corticoides”, ressaltou. Ele acrescentou que existem medicamentos, inibidores de fatores endógenos, do próprio organismo, que provocam reações exacerbadas e que estão em estudo, alguns, já utilizados em fase inicial.

Para Cláudio Maierovitch, o tratamento em relação à covid-19 é de suporte, com ataque aos sintomas como a febre. Ele ressaltou a importância das medidas não farmacológicas e citou casos de sucesso de países como Portugal e Inglaterra, que adotaram medidas restritivas mais rigorosas. Na avaliação dele, para a queda da transmissão intensa do coronavírus no Brasil, seria necessário um lockdown por pelo menos duas semanas, o que impediria um “ciclo da doença”.

O médico se mostrou contrário à forma como a campanha de vacinação vem sendo conduzida no país. “O plano de imunização que tivemos é um plano pífio, que não entra nos detalhes necessários para um plano de imunização que deve existir no país. Não tivemos critérios homogêneos definidos para o Brasil inteiro de forma que ficou a cargo de cada estado e município definir seus critérios. Pode parecer democrático, mas frente a uma epidemia dessa natureza e escassez de recursos que temos, deixa de ser democrático para produzir iniquidades”, avaliou.

Por: Agência Brasil

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